Voz Oblíqua
 
    The Voice Mail

 

Voz Oblíqua

Voz: [subst. fem.] Produção de sons emitidos no ser humano pela laringe com o ar que sai dos pulmões; grito; clamor; linguagem; fig. opinião; poder; inspiração; conselho; sugestão. Oblíqua: [adj. fem.] enviesado; torto; vesgo; fig. indirecto; dissimulado; ambíguo; dúbio.
 
 
 

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    Improvável, mas... domingo, maio 20, 2007

    Não será mais óbvio irmos assistir a um concerto de alguém de quem somos fãs, do que vermos alguém de quem não imaginávamos gostar, e sairmos de lá com vontade de ouvir todos os seus álbuns de fio a pavio?

    Pois é, aconteceu comigo há uma semana!!! A música que aqui partilho convosco arrepiou-me. No meio das 27.000 pessoas presentes no concerto alguém dançou e recordou a melodia(¹) com mais de 20 anos que seria improvável mexer tanto com ela...



    (¹) Sem qualquer embaraço, mesmo correndo o risco de ser gozada publicamente pelo meu amigo com nome de detergente, leitor assíduo deste blog!!!

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    A vida faz-me bem! quarta-feira, abril 11, 2007

    No outro dia alguém chamou a atenção de uma colega minha de trabalho, referindo o facto de esta andar sempre com ar de quem carrega todos os males do mundo nas suas costas, encorajando-a a seguir o meu exemplo: "Ponha os olhos na sua colega. Está sempre a sorrir... a vida corre-lhe bem"!.

    Foi então que a A. ganhou e coragem e me fez uma pergunta que, segundo ela, há muito me queria fazer: "Qual é o segredo da tua boa disposição?". Eu sorri, e mais do que lhe dizer o que quer que fosse, deixei-a ouvir uma música que sempre ouvi com atenção e onde fui buscar alguns dos mais importantes ensinamentos de que faço uso no meu dia-a-dia. Não diz tudo, mas a nossa própria verdade pode ser construída a partir das dicas de Baz Luhrmann...

    Atrevi-me numa tradução... Espero que vos ajude também a sorrir mais para a vida!


    «Senhoras e Senhores da Classe de '99

    Usem protector solar!
    Se eu vos pudesse oferecer apenas uma dica para o futuro, seria a do uso de protector solar.
    Os benefícios a longo prazo do protector solar foram provados por cientistas; porém o resto do meu conselho não tem maior base de confiança que a minha própria experiência desregrada.
    Eu vou oferecer o meu conselho agora.
    Goza do poder e da beleza da juventude; oh não façam caso, vocês nunca perceberão o poder e a beleza da juventude até estes terem sido consumidos.
    Mas confiem em mim, daqui a 20 anos irão olhar para as vossas próprias fotografias de uma forma incapaz de tornar a agarrar todas as possibilidades que se prostram agora à vossa frente, lembrando de quão fabulosos vocês realmente eram!
    Vocês não são tão anafados quanto imaginam!
    Não se preocupem com o futuro; ou preocupem-se, consciencializando-vos que a preocupação é tão útil quanto tentarem resolver uma equação de álgebra enquanto mascam pastilha elástica.
    Os problemas reais nas vossas vidas serão coisas que nunca passaram sequer pela vossa imaginação, do tipo de uma cegueira repentina às 4h da tarde de uma qualquer terça-feira de ócio.
    Façam algo que vos amedronte todos os dias. Cantem. Não ignorem o coração das outras pessoas, nem façam caso das pessoas que ignoram o vosso. Usem o fio dental. Não percam tempo com ciúmes; às vezes estão mais à frente, outras vezes mais atrás. A corrida é longa, e no final só poderão contar convosco.
    Lembrem sempre os elogios que recebem. Esqueçam os insultos. (Se forem bem sucedidos nesta tarefa, digam-me como!) Guardem convosco as vossas antigas cartas de amor, e deitem no lixo os vossos extractos bancários. Façam alongamentos. Não se sintam culpados se não souberem o que fazer das vossas vidas... As pessoas mais interessantes que conheço não o sabiam também aos 22 anos. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não o sabem.
    Tomem imenso cálcio. Sejam cuidadosos com os vossos joelhos, sentirão a sua falta quando eles já não se moverem.
    Casar-se-ão, talvez. Ou talvez não. Terão filhos, talvez. Divorciar-se-ão talvez aos 40 anos! Ou virão talvez a dançar como uma galinha louca no 75º aniversário do vosso casamento...
    O que quer que façam, não se congratulem demasiado. Nem se reprimam também - as vossas escolhas têm 50% de hipótese de dar certo, assim como as de toda a gente.
    Goza do teu corpo de todas as formas possíveis... Não o temam, ou temam o que as outras pessoas pensam dele; é o mais grandioso instrumento que alguma vez possuirão...
    Dancem... Mesmo que não tenham mais lugar algum para o fazer, senão na vossa sala de estar. Leiam as direcções, mesmo que não as sigam. NÃO leiam revistas de beleza; elas só vos farão sentir feios. Faz por conhecer bem os teus pais, nunca se sabe quando eles partirão de vez. Sejam atenciosos com os vossos irmãos e irmãs; eles serão o vosso melhor vínculo com o passado e provavelmente as pessoas que mais próximas de vocês estarão no futuro. Percebam que os amigos vêm e vão, mas que se deverão manter agarrados aos mais preciosos.
    Esforcem-se por corrigir as lacunas na vossa geografia e estilo de vida, porque quanto mais velhos ficarem, mais precisarão das pessoas que vos conheciam quando vocês eram novos. Vivam em Nova Iorque uma vez, mas mudem-se antes de ficarem empedernidos. Vivam na Califórnia do Norte uma vez, mas saiam antes de ficarem lânguidos. Viajem!
    Aceitem algumas verdades inalienáveis; os preços irão subir, os políticos tornar-se-ão mulherengos, e vocês tornar-se-ão também velhos. E quando vocês envelhecerem, fantasiarão que quando eram jovens os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os seus progenitores. Respeitem os vossos progenitores. Não esperem que mais alguém vos apoie. Poderão talvez ter um fundo de Sunscreenpoupança ou um cônjuge endinheirado. Mas não saberão nunca quando eles desaparecerão. Não mexam demasiado no vosso cabelo; caso contrário quando tiverem 40 anos, aparentarão 85.
    Tenham cuidado com as pessoas que vos dão conselhos, mas tenham paciência com elas. Os conselhos são uma forma de nostalgia, e dispensá-los é uma forma de resgatar o passado do caixote do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço mais elevado do que ele vale realmente. Mas confiem em mim no uso de protector solar...»

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    Afinal... quinta-feira, dezembro 14, 2006

    Aqui (não) nasceu (apenas) Portugal!

    Guimarães

    E mais não vos posso dizer...

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    Nem sempre tudo pode durar! sexta-feira, dezembro 01, 2006

    Assim terminou a brilhante dedicação que o meu grande amigo Brunex amavelmente postou aqui no Voz Oblíqua (em baixo) e que muitos de vocês tomaram como minha! Sabem que não gosto de ficar com créditos alheios e “o seu, a seu dono”…

    Nem sempre tudo pode durar!Não se assustem com este regresso inusitado! Nem levem a mal todo este tempo de silêncio. Precisava de me afastar, de me reconstruir, de me encontrar, de planear, de traçar, de perceber! A vida leva-nos por caminhos incertos, às vezes desvia-nos, mesmo que acabemos por voltar ao trilho que antes havíamos pisado! E julgo que foi isso mesmo que aconteceu comigo, e com a blogosfera. Mas por ora estou de regresso…

    Junho - data do último post - representou um mês de grandes mudanças na minha vida, e desde então decorreram uma série de desenvolvimentos. Uns mais verticais que outros. Muitos talvez oblíquos, como a voz! Precisei do tempo desde então!

    Não vou pedir-vos desculpa pela ausência, pois assim tinha de ser! Prefiro antes agradecer a quem percebeu o afastamento e fez chegar até mim mensagens de saudades. O blog não seria meu, se não fosse antes vosso! Podia escrever os meus pensamentos numa folha de linhas, e guardar os rascunhos na gaveta da secretária. Podia nem sequer partilhar os pequenos nadas. Mas se há quase dois anos escolhi esta página para o fazer, assim será de novo agora, que senti estar na hora de voltar!

    Não sei durante quanto tempo, nem até quando, e acredito que só devemos fazer algo enquanto isso nos der prazer. Mas...

    ...acolher-me-ão do mesmo modo, como haviam antes feito, do modo que me manteve sempre deste lado com um sorriso?

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    Eu, os Outros, os Blogs e a Solução sexta-feira, março 31, 2006

    Este post já tardava…

    Há algum tempo que o
    Voz Oblíqua passou a ser um pouco de mim. Assim como os outros blogs que oriento ou em que participo. E quem és tu?, perguntarão alguns de vocês.

    A resposta não é simples. Nunca é simples. Mas uma coisa vocês já repararam e é o que aqui importa: gosto de palavras, gosto de jogos de palavras, e de me perder nelas, com elas!

    Aliás foi assim que cheguei à blogosfera em
    Outubro de 2004. Precisava de um pretexto para perpetuar algumas exclamações intimistas. Independentemente da qualidade são minhas, e eu gostava de as sentir ilustradas e observadas.

    Depois percebi que queria dar a conhecer o meu lado mais descontraído, mostrar que a
    Wakewinha não é só sensibilidade, e assim nasceu o blog que, desconstruído, mais e melhor diz de mim!

    Percepcionado o poder da blogosfera, acabaram por nascer duas páginas que levo muito a sério, onde
    vou cuidando dos animais, ou dando a conhecer um modo de vida cruelty-free!

    Por cá nasceu há pouco tempo um título [Crónicas da Vida Real] que vai relatando episódios mais ou menos humorísticos, que ora são contados na primeira pessoa, ora na terceira. A confessar está o facto de, alguns dos que são contados na terceira pessoa, poderem ser relativos a mim! Outros talvez não… Nem sempre precisarão de perceber tudo, não é assim? A verdade é que há pessoas que visitam este blog num espírito detractor...


    Mediante estes esclarecimentos, queria-vos pedir que não julguem sem ler nas entrelinhas!


    Relativamente ao episódio do post em baixo, não P., não fui eu quem deu aquele cartão ao rapaz! Muito menos aquele número é meu… Mas teria sido realmente mais fácil se ele conhecesse este código, não teria?


    Código Odobock

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    Acorrentada... de novo! sexta-feira, março 10, 2006

    Acorrentada de novo, desta feita pela amiga Lolita (desculpa a demora; tu sabes que eu tardo, mas não falho), é suposto aqui descrever alguns dos meus hábitos mais rotineiros! A tarefa não é fácil, até porque tenho a estranha sensação que todos os meus dias são razoavelmente diferentes, mas depois de uns dias em auto-observação, é-me possível concluir que há pormenores comuns! Sou a enumerá-los:

    Escravos da Rotina

    * O despertador marca 10 minutos para lá da realidade, pois é muito fácil enganar o meu subconsciente sonolento. Na verdade eu sei que o relógio está adiantado, e que por isso posso ficar a gozar mais uns minutos na cama, mas como não consigo fazer contas ensonada, debato-me com a preocupação que acaba por vencer e levanto-me da cama (todos, mas todos os dias, entre o quarto e o WC, traço planos para mudar a minha rotina para me passar a deitar mais cedo e assim dormir mais, mas lá para a noitinha já os esqueci)!

    * Conforme já é anunciado em cima, o próximo hábito rotineiro é a viagem até ao WC! Dispo o pijama, deixo a água correr, não verifico a temperatura, entro para dentro do polivan, arrepio-me de frio, maldigo a pessoa que diminuiu a potência do esquentador, lanço-lhe pragas, visto o roupão de banho, vou até à marquise, aumento a chama do esquentador ao máximo, e volto para o WC. Aí sim, tomo um belo de um banho quente.

    * Por estranho que pareça, os litros de água caídos sobre mim durante o banho não são suficientes para me acordar, por isso, de seguida, lavo ao rosto com água bem gelada. Abro os olhos, olho-me no espelho, e marco na agenda mental: «Exfoliação e hidratação logo à noitinha». Passo hidratante em movimentos circulares e firmes em menos de um minuto.

    * Penteio e seco o cabelo mecanicamente (altura em que me lembro que preciso de mudar o visual, porque o gosto de fazer com frequência, e mantenho este corte há cerca de 10 meses).

    * Passo a roupa para esse dia (raramento a deixo preparada de véspera) e visto-me. Acessorizo-me, calço-me, pego nas pastas (papelada de um lado, computador do outro), agarro a bolsa (verificando sempre: carteira, chaves do habitáculo, agenda, caneta, pen, telemóvel e o mais-que-imprescindível-baton-de-cieiro), vou à cozinha buscar um iogurte líquido, e saio de casa.

    * A viagem de carro até ao local de trabalho é feita em grande velocidade (é ao volante que descarrego as energias negativas), com a música bastante alta, e quando não canto, bebo o iogurte.

    * O carro é sempre estacionado de marcha atrás. Entro na escola e profiro dezenas de "bons dias". Aborreço-me porque quase ninguém respondeu, e vou para o departamento.

    É nesta altura que tudo começa a suceder-se de forma muito peculiar, até porque o espírito é diferente todos os dias e a agenda nunca é igual! Mas há sempre algumas coisas que se repetem, e são elas:

    * Mensagens trocadas, religiosa e diariamente (lá para a hora de almoço), com 3 pessoas amigas, muitas vezes para dizer nada, ou alguma coisa sem qualquer sentido (valha-nos a alucinação comum para nos compreendermos).

    * A louça é sempre lavada a seguir à refeição, porque para mim até essa desculpa é plausível para poder mexer em água - adoro água!

    * Em frente de um computador e com uns minutinhos que se avizinham livres, consulto as 4 caixas de correio no activo e respondo a todos as mensagens que me importam.

    * Almoço sempre em pé, porque não gosto de perder tempo, e sou apressada, até no ritmo de trabalho.

    * Não consigo adormecer sem antes assistir a uma data de tv-trash ou ler duas páginas de um livro - péssimo, mas como eu sou teimosa, eu sei que vou conseguir terminá-lo... um dia!

    Agora cumpre-me passar a rotineira corrente a alguém, por isso os visados são:
    * Brunex (Confessa, tu até achas graça a
    isto...
    )
    * Ana, a dona do café (Julgas que és só tu quem me
    apanha, han?
    )
    * Xana (Sabes que mais tarde ou mais cedo entravas na
    corrente - se não fosse agora eu, seria o meu afilhado.
    )
    * SoNosCredita (Para ficar a conhecer um pouquinho
    melhor.
    )
    * Ana, do Palavras ao Acaso (Para que ela mesma
    perceba que tem coisas extraordinárias no seu dia!
    )

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    Acorrentada segunda-feira, fevereiro 20, 2006

    Quatro Quartos

    Desafio aceite, esclarecido, respondível e respondido à
    Cientista!

    Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:

    1] A Raíz do Medo (Pelas magníficas interpretações e pelo "fabulástico" argumento.)
    2] Alta Fidelidade (John Cusack deslinda toda a essência das relações.)
    3] Pulp Fiction (Pelo fascínio do Tarantino dos velhos tempos.)
    4] Notting Hill (Porque sou romântica.)

    Quatro sítios onde vivi:

    1] São João da Madeira (Casa dos Papás.)
    2] Vila Real (Nos dois primeiros anos da vida académica.)
    3] Aveiro (Há 9 anos.)
    4] N/A

    Quatro séries televisivas que não perco:

    1] Sexo e a Cidade (Religiosamente.)
    2] Donas de Casa Desesperadas (A atingir o estatuto da primeira.)
    3] Las Vegas vs. CSI (Porque apareciam no mesmo dia e à mesma hora em duas grelhas de programação diferentes.)
    4] Marés Vivas (Private Joke.)

    Quatro sítios onde estive de férias:

    1] Norte
    2] Sul
    3] Interior
    4] Litoral

    Quatro dos meus pratos preferidos:

    1] Francesinha Veggie
    2] Bolonhesa de Seitan
    3] Caldo Verde
    4] Búzios verdi

    Quatro Websites que visito diariamente:

    1] Google (o meu aliado em trabalho e lazer)
    2] Gmail / Yahoo / Hotmail (para pôr a correspondência em dia)
    3] O meu blog
    4] O site da minha rádio favorita para ouvir as novidades

    Quatro sítios onde gostaria de estar agora:

    1] Com uma companhia agradável.
    2] Com a companhia preferida.
    3] Longe do ambiente de trabalho.
    4] Mais perto de amigos.

    Quatro bloggers que desafio a fazer este questionário:

    1] Aquele que quiser fazer uma pausa no trabalho por 5 minutos.
    2] O que pretender fazer uma pequenina instrospectiva.
    3] O realmente viciado nestas correntes.
    4] Aquele que melhor ironiza...


    * * * * * * * * * * * * * * * * * *

    Entretanto, e porque eu sou uma atrasada a responder a estas correntes, acumulei o convite da SoNosCredita e da minha querida Dona do Café, mas felizmente era para o mesmo!

    5 Manias

    Regulamento: «Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog».

    »» Abrir (estranhamente) a boca quando coloco rímel! Nunca li nada sobre isto, mas sei que a Bridget Jones sofre da mesma patologia.

    »» Fazer festas a todos os cães com que me cruzo na rua (e já houve tempos em que atravessava a estrada se os via no passeio da outra banda)!

    »» Manter a televisão ligada, mesmo sem som, enquanto me ocupo de outras tarefas.

    »» Fechar as portas dos compartimentos em que me encontro. Por mais anormal que isto possa soar, sinto-me desamparada de outra forma...

    »» Encher as minhas frases na oralidade com muitos, muitos, tiques de linguagem. A saber alguns: "claramente", "precisamente", "honestamente", "impreterivelmente" e "q.b."! Também há expressões características de que muitas vezes os que me rodeiam fazem troça, e a destacar são «não acho isto nada normal» ou em, tom irónico, «eu não acredito»!

    Agora passo a batata quente...
    1] ... ao meu "
    afilhado";
    2] ... ao meu
    companheiro de conversas estranhas;
    3] ... ao
    marketeer que nunca me visita, mas que tem sempre umas palavras simpáticas para mim via e-mail;
    4] ... a uma
    amiga reconquistada;
    5] ... a
    alguém que, tenho a certeza, me vai dar excelentes respostas.

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    Saltos Gerifaltos quarta-feira, janeiro 25, 2006

    Saltos GerifaltosTake off your shoes! I hate the sound they make when you walk! Penso que isto seria uma óptima guide line para os meus alunos, caso eles a soubessem pronunciar em good english, ou pelo menos encontrassem a coragem necessária para a proferir em voz alta! Pelo menos é o que interpreto dos seus olhares de esguelha em direcção aos meus pés enquanto me passeio pela sala de aula, não podendo também deixar de tomar em consideração um comentário mais atrevido de há dias: «Oh stôra, eu nem preciso de estar atento a olhar para si quando copio nos testes; basta estar atento à direcção do som do seu andar»!

    O meu fascínio pelos saltos altos não é remoto, uma vez que fui maria-rapaz até à maioridade, mas a verdade é que se tornou rapidamente num vício que oculta um enorme complexo: a altura! Tinha 12 anos, e do alto dos meus 162cm de altura orgulhava-me com os comentários e as previsões dos familiares, que anunciavam que me viria a tornar numa jovem altíssima e altissonante! Disseram-no tantas vezes, que acabaram por amaldiçoar o meu crescimento (tendemos sempre a encontrar culpados para as nossas frustrações), acabando eu por estagnar no 1.66m (ou 1.66 e ½, como gosto de dizer com exactidão) por volta dos 13/14 anos! A verdade é que desde então não subi nem mais um centímetro em direcção ao céu...

    Talvez por na idade do armário ter acreditado piamente que ia ter um futuro promissor enquanto "escadote humano", não consigo actualmente lidar muito bem com o ter de olhar para cima enquanto falo com terceiros, principalmente os da nova geração. Ir a uma discoteca ou a um bar torna-se num suplício, principalmente quando a única justificação que encontro para estar sempre a ser acotovelada é a minha "aparente" invisibilidade. Comprar calças pode ser também desesperante, principalmente quando me vejo forçada a chamar a menina que me atende, que por norma desce do alto dos seus 175cm numas confortáveis sabrinas para marcar a bainha das minhas calças, proferindo naquele que me parece sempre um tom jocoso: «Subimos então a perna 10cm, né?». O ter de ficar em pontas para beijar alguém torna-se gracioso e faz lembrar um qualquer truque cinematográfico dos filmes da pequeníssima Meg Ryan, onde ela tem de subir a um pequeno banco de madeira para disfarçar a disparidade de altura que a separa dos seus companheiros de ecrã!

    Andar sempre de saltos altos, mesmo com aqueles que se esgueiram por entre as fendas das pedras da calçada, fez-me ter mais cuidado com o equilíbrio, não sendo por isso hoje difícil de me encontrar a executar as tarefas mais estranhas em cima de autênticas açoteias! Há mesmo quem diga que não há ninguém como eu a subir escadotes em saltos-agulha.

    Apesar de tudo, mesmo tendo a vantagem de caber facilmente debaixo de um abraço confortável, eu só gostava de não ter de recorrer a quaisquer artifícios para ver o sol nascer antes de todos os outros...

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