Voz Oblíqua: Conhecendo-me...
 
    The Voice Mail

 

Voz Oblíqua

Voz: [subst. fem.] Produção de sons emitidos no ser humano pela laringe com o ar que sai dos pulmões; grito; clamor; linguagem; fig. opinião; poder; inspiração; conselho; sugestão. Oblíqua: [adj. fem.] enviesado; torto; vesgo; fig. indirecto; dissimulado; ambíguo; dúbio.
 
 
 

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    Conhecendo-me... Terça-feira, Janeiro 03, 2006

    O ano começa. Chega a altura dos balanços. Meio que perdida precisei de saber quem sou. E partilho! Para ler aos bocadinhos e saborear. Lê hoje, e volta amanhã para ler o resto. Não tenhas pressa... Eis-me assim:

    Se fosse Mário de Sá Carneiro diria que era
    qualquer coisa de intermédio entre mim e outra.
    Mas eu sou apenas eu, com todos os defeitos
    e virtudes daí inerentes.
    Já pratiquei todos os tipos de desporto,
    mas não consigo fazer disso um hábito.
    Assim como assim, de vez em quando gosto de natação.
    Já quis fugir de tudo,
    e já cheguei a fugir de casa.
    Dormi ao relento, senti frio, voltei.
    Gosto do meu nome,
    e não me podia identificar mais com o meu signo e ascendente.
    Já fui mais patriota.
    Agora espero que me apareça uma oportunidade
    para eu voar daqui para fora
    e ser feliz debaixo de outro sol.
    Tive o meu primeiro desgosto de amor já depois do quarto de século.
    Não soube sofrer por isso...
    Sou sensível e de lágrimas fáceis.
    Choro por mim, choro pelos outros,
    e choro quando me sinto estranhamente feliz!
    Devia usar óculos mais frequentemente,
    mas como me fazem parecer demasiado intelectual
    evito tirá-los da pasta.
    Quis ser professora e fui à conquista do sonho.
    Desisti no auge, experimentei Gestão,
    depois Marketing, e voltei à origem.
    Agora procuro de novo uma resposta à minha ânsia
    de fazer sempre coisas novas.
    Nunca me traí
    e nem sequer aos meus princípios.
    Tenho valores enraizados, e não gosto quando os deturpam.
    Não me arrependo do que faço.
    Embora já me tenha arrependido de algumas entregas mais precipitadas.
    Mas nunca tentei apagar o meu passado.
    Já caí e aprendi a levantar-me.
    Até que caí de novo e levantei-me sozinha.
    Caí mais uma vez.
    E percebi que nasci para ser uma criança grande sempre a tombar
    e a aprender sempre com isso.
    Já tive o cabelo de todas as cores.
    Aos 15 anos pintei de roxo
    e aos 20 de laranja.
    Actualmente está com a sua cor original.
    Gosto de cantar.
    Canto no carro, quando conduzo sozinha,
    e debaixo do chuveiro com o rádio a disfarçar o desafinado.
    Já pensei em frequentar aulas de canto
    mas continuo a preferir escrever do que exteriorizar.
    O meu mundo seria cor-de-rosa se não contivesse injustiça.
    Defendo os fracos.
    Já fiz voluntariado com crianças.
    Já fiz voluntariado para a 3ª idade.
    Depois percebi que existe uma enorme gratidão em trabalhar com animais.
    Hoje sinto-me feliz quando trabalho por eles para eles.
    Deixei de comer carne
    quando decidi que queria ter um leitão de estimação.
    Deixei de comer peixe
    quando vi um ser pescado e consequentemente morrer sufocado.
    Nunca pensei em ser mãe.
    Mas um dos meus maiores sonhos seria adoptar uma criança,
    porque já nasceu e precisa de carinho.
    Por vezes gosto de me desligar do mundo.
    Há quem diga que sou individualista.
    Eu diria apenas que solitária.
    Gosto de música, de poesia, de teatro e de cinema.
    Ver-me-ia no futuro a fazer arte.
    Ver-me-ia no futuro ligada a um lado mais espiritual.
    Ver-me-ia no futuro em qualquer outro lado,
    vestida de qualquer outra forma,
    com outros amigos quaisquer,
    a viver uma vida que não é a minha.
    Já fui a festas. Já estive em muitas festas.
    Já sorri para muitas objectivas.
    Hoje sei que não é lá que encontro as pessoas que quero
    realmente conhecer.
    Sou apaixonada. E sou lunática.
    Sou apaixonada pelas coisas belas da vida.
    Sou apaixonada pelo sol.
    Sou apaixonada pela intensidade com que as coisas acontecem.
    Já tentei impressionar alguém.
    E já impressionei sem esforço.
    Já conquistei sem ser conquistada.
    Já fui conquistada sem conquistar.
    Construí paradoxos e vivi na discordância.
    Gosto de homens bonitos.
    Mas definitivamente sou tentada por aqueles
    que sabem conversar.
    Sou capaz de passar horas a trocar experiências.
    É para mim um dos mais belos prazeres da vida.
    Sou perfeccionista
    e por isso demasiado exigente comigo e com os outros.
    Gosto do meu sorriso.
    Gosto de sorrir.
    Não gosto das marcas do tempo no meu rosto.
    Tenho medo de envelhecer.
    Tenho medo de não chegar a viver o que anseio.
    Gosto de banhos de espuma.
    Mas não os fiz mais quando ouvi falar na seca.
    Adoro oferecer presentes.
    E seria irónica se dissesse que não gosto de receber.
    Gosto que me ofereçam livros.
    Gosto do cheiro de livros.
    Gosto de cheiros. Gosto de aromas e fragrâncias.
    Gosto de perfumes.
    Gosto de identificar as pessoas com o seu perfume.
    Gosto do sol frio.
    Mas também gosto de torrar debaixo do sol quente.
    Não era capaz de viver num país tropical.
    Gostava de viver num país cultural.
    Já roí as unhas.
    E parei quando tive vergonha das minhas mãos.
    Passo muito tempo na internet.
    Mas não tenho vícios.
    E detesto pessoas que precisam de artifícios.
    Por favor não fumem junto de mim.
    Por favor não bebam em demasia quando estão comigo.
    Eu mostro como é possível divertir-mo-nos sem mais nada.
    Não uso drogas, nem nunca usei.
    Nunca experimentei sequer.
    Mas fiz parte de grupos de risco.
    Vi amigos enveredarem por caminhos duvidosos.
    Mas tive sempre o seu respeito por não ceder mesmo estando junto deles.
    No liceu dava-me igualmente bem com os populares e os intelectuais.
    Ainda hoje tenho amigos de todos os géneros.
    Gosto de estar com todos eles em alturas diferentes.
    Não gosto que me olhem de lado.
    Fico furiosa com mentiras.
    Odeio a hipocrisia e inveja.
    Mas tenho um íman que atrai o que mais abomino nos outros.
    Gosto de dormir. Mas não quero deixar de viver para o fazer.
    Gosto de filmes.
    Conhecendo-meSerão perfeito é ficar enroscada no sofá em frente do televisor.
    Gosto de dramas. Não gosto de ficção.
    Já gostei mais de filmes agressivos.
    Vi o meu primeiro filme romântico aos 24 anos.
    Viciei-me. Choro agora em quase todos eles.
    Já usei aliança na mão direita.
    Fiquei com a marca da aliança.
    Tirei-a quando já nada significava para mim.
    Sou curiosa. E orgulhosa.
    Mas gosto de perdoar e ser perdoada.
    Já fui traída por amigos.
    Mas aos verdadeiros perdoei o erro mais grave.
    Fui boa aluna no liceu.
    Na faculdade cheguei a tirar 0,2 numa cadeira
    que concluí mais tarde com 16.
    Já gostei muito de preto.
    Hoje gosto muito de me rodear de muitas cores.
    Já me viram com áurea azul.
    Mas também com vermelha.
    Nunca me explicaram o que isso queria dizer!
    Sou equilibrada.
    Mas muito inconstante.
    O que hoje é
    pode facilmente deixar de ser amanhã.

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    14 Comments:

    At 03 Janeiro, 2006 16:27, Blogger Fernanda Carvalho said...

    Meio perdida?
    Acho mesmo que não...
    A meu ver quem dera a muita gente (e olha que mtos até precisavam) conseguir fazer uma retrospectiva e análise como a que tu fizeste.
    Fenomenal!
    Tanto a análise (como tu tb o deves ser).
    Um abraço
    ~º(",)º~
    Fernanda (dona da Nikita)

     
    At 04 Janeiro, 2006 15:25, Blogger bilelo said...

    Agora percebo porque lês o meu blog...
    (a propósito - aquilo não fechou, está só de férias)

     
    At 04 Janeiro, 2006 23:04, Anonymous Bic Laranja said...

    Um escrito sempre lido como autobiográfico, fosse escrito por quem fosse. (:Faltou dizer: «eu não tenho telemóvel»:) Cumpts.

     
    At 04 Janeiro, 2006 23:50, Blogger Filipe said...

    Havia aquela música "Metamorfose Ambulante"...

    Bjs!

     
    At 05 Janeiro, 2006 16:09, Blogger vadiano said...

    gostei...já fizeste muita coisa mesmo...mas muitas mais estão pra vir né!!

     
    At 05 Janeiro, 2006 19:41, Blogger Rita said...

    E isso tudo aos 20 e poucos:) Imagina só o que está para vir, ehehe :) Beijinho grande!!***

     
    At 06 Janeiro, 2006 02:27, Blogger idontwannagrowup said...

    WOW!!!! ès GRANDE!!!

     
    At 06 Janeiro, 2006 03:57, Blogger Ana, dona do café said...

    minha amiga, não poderia ficar mais contente com este teu texto, que ficou maravilhosamente encantador e não poderia de maneira alguma deixar de admirar a pessoa que és e demonstras ser por todas as tuas atitudes e toda a simpatia que irradias. Tenho pena de não termos um contacto tão frequente como eu gostaria pois realmente é um prazer conversar contigo sobre pequeninos prazeres que partilhamos ou mesmo de coisas banais, porque pelo que dás a conhecer de ti, és uma pessoa fantástica, com a qual muitas vezes me identifico e chego mesmo a admirar-te por tudo o que és.
    Tenho uma honra enorme em te conhecer e de me recordar da minha timidez quando entrei no Cafeína, para o jantar de natal da estação da luz, à tua procura para ser recebida com um sorriso teu e a tua incondicional simpatia e boa disposição. Acredita que nesse pequenino momento, olhei para ti e vi para além de ti...não sei como, mas achei que eras uma pessoa diferente e especial e assim o tens demonstrado ser.
    Aqui fica o meu orgulho em ser uma tua pequenina amiga e para te pedir para seres sempre tu..igualzinha a ti mesma, porque és especial, tão especial por seres assim.
    Um grande beijinho desta tua amiga

     
    At 09 Janeiro, 2006 23:32, Blogger SoNosCredita said...

    Bela forma de (auto)definição, de balanço, de restrospectiva... whatever.
    Gostei.
    E reconheci-me nalgumas coisas. :)

     
    At 28 Janeiro, 2006 18:04, Anonymous eco de mim said...

    sim, é mto grande, volto amanhã p/ ler o resto... nessa altura já terei um comentário a fazer... sobre ti! LOL ;)

     
    At 15 Março, 2006 19:45, Anonymous Miguel said...

    começo cada vez mais a pensar que és o Carlos Tê, em "versão" feminina... profunda, mas verdadeira... ambígua, mas clara como água... como ele, mas simplesmente tu...

    beijo muito grande :-)

    p.s.: um dia destes escrevo outra canção... venha o poema :-)

     
    At 28 Dezembro, 2006 06:35, Blogger Cruxe said...

    Imperdoável!!! Já cá venho há tanto tempo (embora não com a regularidade que mereces) e nunca tinha lido esta página.

    Tens uma autobiografia muito interessante. Mostra sobretudo que tens muita personalidade. Beijinhos.

     
    At 08 Janeiro, 2007 23:02, Anonymous j azevedo said...

    gostei muito do teu blog.

     
    At 28 Janeiro, 2007 22:36, Blogger maresia said...

    Nunca pensei em ser mãe.
    Mas um dos meus maiores sonhos seria adoptar uma criança,
    porque já nasceu e precisa de carinho.
    Sabes, isto que dizes é impossível. Adoptar uma criança não é um sonho, é maternidade. Não, não é possível querer adoptar uma criança quando nunca se quis ser Mãe. Adoptar é ser Mãe. Só no dia em que sentires uma criança romper-te as entranhas sem nunca a teres carregado em ti, rasgar-te a carne antes mesmo de a tocares... só no dia em que fores Mãe, sem o seres, saberás que queres, e não que sonhas, que ela te adopte, e não adoptá-la.

     

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