Voz Oblíqua: Crónicas da Vida Real - VII
 
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Voz Oblíqua

Voz: [subst. fem.] Produção de sons emitidos no ser humano pela laringe com o ar que sai dos pulmões; grito; clamor; linguagem; fig. opinião; poder; inspiração; conselho; sugestão. Oblíqua: [adj. fem.] enviesado; torto; vesgo; fig. indirecto; dissimulado; ambíguo; dúbio.
 
 
 

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    Crónicas da Vida Real - VII quarta-feira, março 01, 2006

    Justamente quando decorei todas as respostas da vida, mudaram todas as perguntas. [Américo Marques Ferreira]


    @Mesa.de.Café
    Como alguns sabem, e outros hão-de já ter reparado, sou de natureza questionadora. Já não sei se se trata de simples retorno à idade dos porquês ou se, pura e simplesmente, dela nunca terei saído! Seja como for, tal como naquele estádio da nossa infância, estou em fase de reconhecimento. Fui sentar-me numa confortável mesa de café onde estive em amena cavaqueira com a dona. Vale a pena ler a trama que ronda este diálogo. Vale a pena perceber a legitimidade e a força das respostas que encontrei…

    (...)

    Eu: Como podemos amar sem nos entregarmos?

    Ela: Quase da mesma forma em que nos devemos entregar sem amarmos realmente mas é diferente... é quase o contrário!

    Eu: Mas o amor e a entrega inconsciente não andam de mãos dadas?

    Ela: Claro que andam, mas nós podemos baralhá-los um bocadinho; fazemos com que a entrega insconsciente se distraia sem querer...

    Eu: Isso significa que temos de dividir a entrega por vários receptores?

    Ela: Não, nem por isso. É assim: a entrega inconsciente vai tomar café com a entrega consciente. Conversam e a entrega inconsciente começa a pensar duas vezes no que está a fazer, tornando-se um pouco mais consciente dentro da sua inconsciência!

    Eu: Na prática, em que é que isso se traduz? Deveremos realmente ser mais retraídos?

    Ela: Não se trata bem de uma retracção, mas antes de um estudo. Ao sabermos com o que podemos contar, como as outras pessoas lidam connosco e o que elas querem em relação a nós, estamos a criar defesas próprias para enfrentar possíveis imprevistos que possam acontecer. As conversas a dois e os "pontos de situação" da relação ajudam muito!

    Eu: [pensativa...]

    Ela: O grau de entrega vai depender do comportamento das outras pessoas em relação a nós e o seu progresso. Quando nos entregamos numa relação, esperamos sempre qualquer coisa dela porque algo nos atrai, porque algo nos quer transmitir segurança. Essa segurança vai crescendo à medida que as outras pessoas nos vão dando a conhecer como elas realmente são.

    Eu: E se as outras pessoas não falam, antes erguem defesas? Construímos um monólogo em frente de um escudo?

    Ela: As outras pessoas podem não falar, não querer falar, ignorar se falamos com elas, mas no seu íntimo elas simplesmente não percebem o que lhe está a acontecer. Cometemos muitas vezes o erro de, numa discussão, apontarmos o dedo ao que nos fizeram / fazem, o que faz com que a pessoa "acusada" se sinta irritada, incomodada e desorientada. Numa discussão devemos antes falarmos em nós, em como nos sentimos face às atitudes dessa pessoa, em como tentamos lidar com elas mas não conseguimos sozinhas abraçarmo-nos quando perdemos as forças.

    Eu: Então onde está o segredo da harmonia? Devemos observar mais em vez de agir? Porque se remarmos com muita força podemos ficar cansados e acabar por, inconscientemente, exigir o mesmo esforço físico, mental e psicológico às outras pessoas!

    Ela: As relações crescem a pouco e pouco e, quase ao mesmo ritmo, vamos conhecendo as outras pessoas, vamos conhecendo os seus comportamentos, as suas personalidades, os seus defeitos e as diferenças que possuem em relação a nós. Da mesma maneira que a relação evolui, nós vamo-nos adaptando às outras pessoas e elas a nós. Quando damos algo, inconscientemente, exigimos algo em troca; numa relação não podemos esperar que as outras pessoas se esforcem tanto como nós, para que ela resulte, simplesmente precisamos de sentir que, de alguma forma, as outras pessoas se dedicam realmente à relação como nós, através de que meio for.

    Eu: E se nunca chegarmos a sentir esse esforço, seja de que maneira for? É nessa altura que devemos "abandonar o barco"?

    Ela: Romanticamente poderia dizer que o barco nunca deve ser abandonado enquanto ainda existir o sentimento. O esforço se não for notado, terá que ser dialogado ou mesmo discutido. Quando numa relação uma das pessoas manobra o barco atravessando as tempestades, conduzindo o barco na calmaria, nunca abandonando o leme, enquanto a outra se limita a apanhar sol e ajudar com as velas, é como se ela já não estivesse realmente no barco.

    Eu: Depois de tudo isto, há uma questão que impera: será que alguém merece que realmente nos retraiamos por uma questão de luta pela sobrevivência da relação, ou deveremos esperar por outro alguém que tenha sede de nós, com todas as coisas que temos para dar?

    Etiquetas:

    14 Comments:

    At 01 março, 2006 16:47, Blogger chuvamiuda said...

    ....não há respostas satisfatórias, para todos os designios, a satisfação de um desejo não está ao virar da esquina, talvez introduzindo outras palavras caheve, o sucesso da busca seja mais rápido.....

     
    At 01 março, 2006 17:25, Blogger johnny handsome said...

    Relação só conheço a dois (o ménage à trois, ou plus não faz parte da minha ementa) e nos empreendimentos a dois só entendo empenho de ambos. Podem remar cada um para seu lado mas desde que se comprometam ambos em levar o barco a bom porto, tanto pode ser para Leste como para Oeste (ou Norte ou Sul)....Afinal a Terra é redonda...

    P.S.- A foto do "espresso" inspirou-me ;-) Quanto à fantasia de Carnaval só dei conta tarde demais...

     
    At 01 março, 2006 20:09, Blogger SaltaPocinhas said...

    Isso não foi uma conversa de café, foi um tratado de filosofia! As coisas são bem mais simples... As respostas não se podem dar assim! Quando as coisas acontecem a resposta também aparece!

     
    At 01 março, 2006 23:11, Blogger mnica ;* said...

    é sempre o compromisso entre o eu, o outro, e o que ambos querem.

    Alguém sabe a receita para tornar isso mais fácil?

    Jinhos ;*

     
    At 02 março, 2006 00:54, Blogger A.J.Faria said...

    Olá!
    Por vezes é dificil conciliar o meio termo, saber onde está o equilíbrio, mas nada que seja impossivel de alcançar!
    Um abraço,

     
    At 02 março, 2006 01:13, Blogger O Turista said...

    Sem entrega não há AMOR!
    :)
    Bjs


    O Turista - http://www.turistar.blogspot.com/

     
    At 02 março, 2006 13:58, Blogger SoNosCredita said...

    eu sou de coimbra!
    e gostava mmo de trabalhar em lisboa.
    sou de comunicação social...
    mas tá difícil!!!

     
    At 02 março, 2006 15:02, Blogger Lua said...

    Fantástico, é o que tenho a dizer! Mas com um grau elevado de objectividade.
    Quanto a relações, entregas, investimentos, não há receitas, não há manual de instruções. Cada relação é diferente da outra! Nós próprios diferimos de relacionamento para relacionamento, evoluímos, regredimos mediante a bagagem que transportamos ao longo da jornada da vida.
    Não concordo com a castração de sentimentos em prol da defesa do ego, isso é contranatura, se gostas gostas e ponto final, não corroboro com a teoría de criar um personagem, filtrar as emoções, só porque percepcionamos a não entrega do outro! Não! Se a relação não nós preenche de alguma forma, então o lugar do barco deve ser desocupado!
    Não é suposto o amor, a paixão, a amizade, o que for, ser um tormento, uma penitência, isso nunca... O diálogo é fulcral para a funcionalidade efectiva de qq relacionamento, quando este deixa de existir e passa a imperar o monólogo colectivo, amigos partam para outra porque cristo só exitiu um, e não me parece que alguém queira novamente representar o papel!

    Marta

     
    At 02 março, 2006 15:19, Blogger Lua said...

    Já agora permite-me aproveitar a ideia da sonoscredita:
    Sou do Porto e gostava mesmo de trabalhar em lisboa!
    Sou psicologa, a fazer mestrado em psicologia da saúde...
    mas está difícil!
    pode ser que tenha algum efeito

    Marta

     
    At 02 março, 2006 16:19, Blogger SoNosCredita said...

    (em relação ao post)

    "Como podemos amar sem nos entregarmos?"

    simplesmente, ñ podemos!

     
    At 02 março, 2006 19:14, Blogger AnJu said...

    E quando julgamos ter as respostas as perguntas ja sao outras...
    É mesmo a realidade da vida =/

    Beijo *

     
    At 02 março, 2006 20:15, Blogger zarolho said...

    obrigado pela visita e pelo comentário no meu blog!

     
    At 03 março, 2006 16:03, Blogger Ana, dona do café said...

    Depois de ter escrito um dos maiores comentarios de que tenho memoria há bocado aqui...o blogger deu o tilt e não ficou registado, vou tentar lembrar-me do que escrevi anteriormente...

    Não quero de maneira nenuma dar a entender que, numa relação se deve fingir o que quer que seja em prol do nosso ego,não foi essa a ideia que quis dar e fui mal interpretada. Estou a dar o exemplo de não nos entregarmos de coração aberto numa relação recente, onde ainda existe muito para a aprender sobre a outra pessoa. À medida que a relação vai crescendo e as pessoas se vão conhecendo, vão sabendo o que esperar uma da outra, sem terem, obviamente o conceito "toma lá, dá cá", mas coisas acontecem naturalmente, pois claro!
    A teoria da retracção, como eu lhe chamei a brincar, não é de maneira nenhuma "teoria" para que as pessoas se retraiam nas relação, fingindo ser quem não são, fingindo ou ocultando sentimentos...é simplesmente a ideia de "ter calma, observar, gozar todos os momentos, não reprimir os sentimentos...mas avaliar a predisposição da outra pessoa para ter uma relação"; isto é, se uma pessoa está a iniciar uma relação com outra mas a outra pessoa não transmite segurança à outra de maneira alguma; será que vale a pena continuar a "bater na mesma tecla"? E porque será que essa pessoa não está a dar o "feedback"? O que se passa realmente? Como essa pessoa se sente na relação? É através da observação do comportamento dessa pessoa, do diálogo com ela que possamos obter respostas e saber se essa pessoa será merecedora da nossa dedicação...
    Mas há que saber avaliar também essa dedicação, porque cada pessoa é diferente, cada um sente e expressa-se de maneira diferente; assim um homem que goste de beijar a sua amada a toda a hora e a sua amada não goste, não quer dizer que ele se esforça mais ou menos ou que goste mais ou menos, simplesmente tem uma maneira diferente de se exprimir, isso não quer dizer que a amada goste menos dele, mas possivelmente terá uma maneira diferente de o exprimir.
    O "dar-receber" é uma coisa tão natural na relação que não tem medida para tal coisa...mas o comportamento de um casal determina-se também pelo grau de equilíbrio do seu comportamento na relação, pois de alguma forma se completam.

    Em alguns comentários do haloscan reparei que fui mal interpretada, talvez esse facto tenha a ver com o facto de este texto estar aqui em versão de excerto, pois o ´diálogo original era realmente bastante grande (maior ainda? :p) e talvez algumas partes nao mencionadas esclarecessem certos pontos em que fui mal interpretada.

    mesmo assim acho que correu bem, obrigada pela conversinha de café Raquel ** =)

     
    At 03 março, 2006 16:19, Blogger Wakewinha said...

    Ana, não me parece nada que tenhas sido mal interpretada! Talvez um ou outro mais distraído, que tenha lido o diálogo na diagonal (e tu sabes que entre blogs isso acontece muito), tenha tido a necessidade de comentar qualquer coisa, e isso te tenha feito levantar a suspeita de falsas interpretações! Os teus conselhos, que se pudesse reduzir a uma só expressão diria qualquer coisa como experimentação pós-observação, foram bem explícitos nas tuas palavras.

    Pensei, inicialmente, que para mim seria explícito, pois eu "estava lá", e sei o diálogo na íntegra! Mas tornei a ler, partindo do 0, como se fosse a primeira vez que realmente o lia, e julgo que as ideias estão bem claras e objectivas. Mas lá está, não é um diálogo fácil, um tema fácil, e as protagonistas gostam mais de brincar com as palavras dos que comer chocolates, por isso a interpretação desta nossa conversa não será de todo um exercício fácil e para apressados! =D

    Um beijo muito grande e obrigada eu... pela paciância! ;)

     

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