Voz Oblíqua: Autocomiseração ou hetero-exclusão?
 
    The Voice Mail

 

Voz Oblíqua

Voz: [subst. fem.] Produção de sons emitidos no ser humano pela laringe com o ar que sai dos pulmões; grito; clamor; linguagem; fig. opinião; poder; inspiração; conselho; sugestão. Oblíqua: [adj. fem.] enviesado; torto; vesgo; fig. indirecto; dissimulado; ambíguo; dúbio.
 
 
 

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    Autocomiseração ou hetero-exclusão? quinta-feira, junho 01, 2006

    Gostava de vos falar da Maria. Conheço-a desde a minha infância e brincámos inúmeras vezes juntas. Quando éramos crianças a Maria já se realçava como a mais espevita, e bem cedo despertou para o bel-prazer da conquista e do acto de se ser conquistado. De espírito errante e alma criativa, estudou arte nas mais bonitas cidades do mundo e deixou-se seduzir pelos corpos desnudos que transpunha nas suas telas.

    Habituada aos encómios nas galerias de arte, e aos ritos de sedução gratuita dos homens fugazes e efémeros da sua vida, a Maria tornou-se numa daquelas mulheres com exacerbado pavor à própria ideia imaginada de terminar os seus dias sem a companhia de alguém que lhe dê atenção e renove os seus afagos e primores com frequência.

    Tal como muitas outras mulheres, a barreira delimitadora do seu estado de absoluta compaixão para consigo mesma tornou-se mais manifesta na chegada ao que vulgarmente designamos pelos “intas”. Pobre Maria, na tentativa de recuperar o glamour e a sofisticação dos seus dias ufanos e a segurança de uma pele sem asperezas ou brilhos, mostra o seu indestronável sorriso às objectivas estranhas e a estranhos objectivos. É o jogo do vale-tudo para encontrar o Príncipe Encantado que deverá sair directamente das páginas dos contos fantasiosos que líamos juntas, para os trechos dos capítulos com que ela deseja encerrar a sua história.

    Ridícula, ridicularizada e ridicularizante, a Maria tornou-se numa daquelas mulheres que não encontrou a perfeita união da sua sobriedade e inteligência profissional com o requinte selectivo inato à arte de se deixar conquistar, pelo que não é invulgar encontrá-la com vários espécimes que não obedecem a padrões. Eu chamar-lhes-ia apenas “engatatões”.

    Autocomiseração ou hetero-exclusão?O futuro da Maria pode estar personificado num qualquer banco de autocarro, junto a um bar na discoteca da moda, deitado na toalha de praia do lado ou ser apenas o vizinho giro que lhe sorri no elevador. Esperançosa e esperançada, a Maria é uma mulher voluntariamente cega, e como dizia a minha mãe, “pior cego é o que não quer ver”! Mas ela acredita ver.

    E no seu futuro ela reconhece duas sombras desiguais, lado a lado. A bem ou a mal…

    Às vezes pergunto-me se esta apreensão da Maria virá apenas de uma incapacidade gramatical! Conseguirão as Marias do mundo conjugar no futuro do indicativo os verbos na primeira pessoa do singular, ou a sua compaixão incônscia a filtra para o uso da flexão verbal que se refere ao plural?


    @ Voz das Beiras [Abril'06]

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    6 Comments:

    At 02 junho, 2006 11:28, Blogger bilelo said...

    Ao ler isto tive a sensação de estar a ler a letra de uma música de "Mão Morta"...

     
    At 03 junho, 2006 21:54, Blogger brun0.m@rkez said...

    smile orgulhoso e babado!

     
    At 03 junho, 2006 23:33, Blogger Araj said...

    "Feliz é aquele que sabe ao certo o que procura, pois quem não sabe o que procura, não vê o que encontra."

     
    At 04 junho, 2006 19:38, Blogger Su said...

    belo texto. gostei de ler.te
    jocas maradas

     
    At 05 junho, 2006 11:35, Blogger Barão da Tróia II said...

    E quantas vezes se procura lá longe o que afinal está aqui bem perto.

     
    At 10 junho, 2006 17:28, Blogger SoNosCredita said...

    "É o jogo do vale-tudo para encontrar o Príncipe Encantado"

    gostaria muito de encontrar o meu... já pensei tê-lo encontrado... mas recuso-me a entrar nesse jogo, do vale-tudo.

    antes só...

    de qualquer forma, todos nós procuramos alguém, todos nós gostamos de estar com, de partilhar, de pensar em, de olhar para, de beijar, de abraçar,...

    mas por vezes a vida não o proporciona.

     

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